O drama que dividiu opiniões. A ansiedade por Vagabond começou logo no anúncio do elenco: Lee Seung Gi e Bae Suzy seriam os protagonistas do novo drama da SBS. Pra quem não sabe, ambos foram protagonistas em Gu Family Book, drama que foi ao ar pela MBC em 2013. Quem assistiu, sabe que o casal causou grande impacto nos espectadores que anseiam por uma continuação desde aquele final desolador.

Depois que a SBS anunciou o elenco, começou as gravações do drama e logo, anunciou que ele seria totalmente pré produzido, com isso, a demora para o lançamento foi ainda maior e a ansiedade dos dorameiros elevada a níveis absurdos.

Enfim, depois de muito tempo de espera, Vagabond foi lançado pela SBS e, para alegria de muitos, também na Netflix. Mas o que alguns não esperavam era que o drama não fosse agradar tanto como nas expectativas criadas.

Por isso, antes de continuar a falar qualquer coisa sobre o drama, quero expor minha opinião sobre algumas das críticas que tenho visto em relação ao drama.

Vagabond
(Retaliação)
배가본드
Episódios: 16 | Emissora: SBS e Netflix | Ano: 2019

Sinopse: Cha Dal Gun torna-se alvo fácil quando tenta descobrir a verdadeira causa da queda do avião que matou seu sobrinho. Ele é quem cuida do sobrinho desde o falecimento de seus pais. Intrigado como a causa do acidente foi coberta, ele inicia uma busca que pode ser perigosa. Go Hae Ri é agente novata no NIS (Serviço Nacional de Inteligência) e está envolvida no caso da queda do avião.

Talvez os novos espectadores de dramas coreanos não estejam acostumados com esse tipo de drama que “pede uma segunda temporada”, mesmo que essa nunca chegue. Ou falando mais claramente: os famosos finais abertos.

Podemos citar poucos dos dramas recentes nesse exemplo, acredito que o maior deles seja Moon Lovers. Quero mencionar aqui que lá pra 2009/2010/2011, era muito comum termos dramas coreanos com continuação, seja com outra temporada ou até com filme. Um ótimo exemplo é o drama IRIS, exibido pela KBS em 2009. Foi um drama de ação e investigação, que teve um grande número de audiência. A sequência foi um filme lançado em 2010 e a segunda temporada veio em 2013.

Finais abertos eram muito comuns principalmente em dramas de ação, porém hoje em dia, a maioria dos dramas são bem fechadinhos e bonitinhos, talvez tenhamos nos acostumado mal. O próprio Gu Family Book, teve final aberto e que até hoje não foi superado.

Temos que lembrar também, que dramas “originais Netflix” geralmente são adaptados ao formato da plataforma. Seja no tempo de episódio ou no número de episódios por temporada. No caso, acredito que o que aconteceu foi que, quando SBS iniciou a parceria com Netflix, tenham criado um roteiro pensado especificamente para uma sequência de Vagabond e vou explicar o porquê logo logo.

Outra crítica que li muito foi sobre o drama ter ação demais e não desenvolver o romance. Acredito que este ponto é mais um gosto pessoal do que um ponto a ser criticado numa obra. Mas é real. Sim, Vagabond é um drama de ação e investigação que tem um sutil romance. Se você espera ver isso neste drama, pode pular. Novamente lembro de dramas mais antigos como Heartless City, Time Between Dog and Wolf e o IRIS já citado, que são dramas com muita ação e um romancinho de leve só pra fazer uma graça.

Onde quero chegar é que Vagabond tem um clima nostálgico, pelo menos pra mim. Não é um drama perfeito — e também vou falar sobre isso ainda neste texto —, mas é um conjunto de características que lembram os dramas de ação mais antigos, principalmente envolvendo o NIS (Serviço Nacional de Inteligência), conflitos políticos, econômicos e sociais, corrupção, muita ação (muita mesmo), pitadas de romance e, claro, um final aberto. No geral, Vagabond atendeu a sua proposta mesmo com alguns pontos a melhorar.

Analisando essa temporada, com expectativas de uma segunda, penso que Vagabond desenvolveu bem seus personagens, os introduzindo na história, criando um contexto, criando motivos e determinações para um conflito ainda maior que surgirá na sequência da trama. Assim como o romance, que provavelmente surtirá muito mais efeito após o conflito do final dessa primeira – até então, única – temporada.

Como protagonista, Cha Dal Gun (Lee Seung Gi) é um excelente personagem, ele era um cara comum tentando viver a vida tranquilamente enquanto criava o sobrinho, mas a tragédia o fez despertar. Já que a justiça não fez absolutamente nada em relação a queda do avião que matou seu sobrinho, ele junta toda sua coragem e persistência e acaba envolvido com pessoas e organizações perigosas que o querem em silêncio.

O ator, sem dúvidas, foi além de tudo o que imaginei. Não é a toa que Lee Seung Gi ganhou prêmios, não só por sua atuação em Vagabond, como também seu trabalho em programas de variedades. Ele é um artista completo e versátil, e posso dizer, com certeza que é um dos melhores atores em ação.

Go Hae Ri (Bae Suzy) é a personagem que introduz Cha Dal Gun no meio do caos através de suas conexões. Ela é uma agente novata do NIS, por isso, ao mesmo tempo que tem uma grande vontade de fazer justiça, também é barrada por seus superiores e quase nunca entende os motivos. Claro que isso logo muda quando ela percebe que, na verdade, até mesmo o Serviço Nacional de Inteligência é corrupto.

Há quem diga que Hae Ri poderia ter “servido pra mais coisas”, mas novamente entro no tópico de que muito do que vemos aqui, é uma introdução dos personagens. Afinal, Hae Ri é apenas uma novata no NIS, sem poder, sem muitas conexões e sem saber em quem acreditar, de fato. Na verdade, acho que com o que ela tinha, ainda fez muito arriscando toda sua vida e carreira.

Mas há sim personagens que poderiam ter sido melhor explorados como Gi Tae Woong (Shin Sung Rok), um agente do NIS, um dos superiores da Go Hae Ri e que estava lá só por estar. Ele transmite um ar de mistério no começo, mas depois seu arco fica esquecido. Ele é jogado de um lado ao outro na trama, e seu posicionamento não é muito claro.

Em contrapartida, temos personagens que foram uma grata surpresa, como a Jessica (Moon Jung Hee), presidente da John & Mark, uma das empresas envolvidas no acidente de avião. Ela pode até ser vilã, talvez muito vilã, talvez até… um pouco desprezível, mas essa mulher é, sem dúvidas, uma das melhores personagens que já vi em tramas como essa. Jessica é inteligente, perspicaz, cruel e sabe como jogar qualquer situação que lhe apareça. A atriz provavelmente fez a diferença nessa personagem, quero deixar meus parabéns a Moon Jung Hee que teve um desempenho excepcional como Jessica. — como esquecer seus ótimos diálogos e principalmente aqueles em que ela esbanja seu ótimo inglês?

Outra personagem feminina que faz a história valer ainda mais, é a Lilly (Park Ah In), uma assassina profissional que foi contratada para matar Cha Dal Gun. Sagaz e talentosa, Lily rouba boa parte das cenas para ela.

Sem entrar no mérito de resumir alguns personagens entre “mocinho ou antagonista”, vale ainda mencionar algumas relações entre personagens, que tornam as coisas mais interessantes com seus conflitos, inimizades, disputas e alfinetadas em grande classe. Principalmente quando envolvia os “mais antigos” do NIS, alguns políticos e empresários.

O enredo é construído de forma que as informações são descobertas pouco a pouco, apesar de já sabermos o que vai acontecer, pois a primeira cena do drama é um futuro próximo, também não fazemos ideia de como as coisas chegarão até aquele ponto.
Em questão de novidade, não há nenhuma. O roteiro não traz nada de muito novo em comparação com outros dramas do gênero, nem novidade no formato que a história é conduzida, o que torna cansativo acompanhar uma história que parece não acrescentar nada.

No meu caso, gostei de acompanhar porque a temática da busca pela justiça e a corrupção dos poderosos é algo que sempre me chama atenção. Gosto das estratégias desses jogos de poder. Mas o ritmo é lento e é preciso ter coragem e muita força pra continuar. O que motivou até mesmo para escrever esse post, foi a expectativa de uma segunda temporada.

Portanto, Vagabond não é um drama que eu recomendaria pra todos, vale apenas para quem gosta de tramas com muita ação e conflitos políticos. Se alguém se interessar puramente pelo “casal” de atores protagonistas, pode ser que saia frustrado. Em todo caso, vale a tentativa. 😉

Onde assistir?

Tem Vagabond legendado no Kingdom Fansubs e na Netflix.

Designer, publicitária, viciada em gatinhos, café e doramas. Criadora e autora do LoveCode - que publica conteúdo sobre entretenimento asiático há nove anos.

1 Comment

  1. Erick de Oliveira Reply

    Okay esse é um drama que eu queria comentar 3 coisas que me incomodaram absurdos:
    1-O final não deveria ser aberto.
    2- Eu acho que a segunda parte do drama é muito exagerada, tentando não dar spoiler, a história fica grande demais e não condiz com a realidade nem nos mais absurdos dos casos. Minha suspensão de descrença não conseguiu lidar com essa parte.
    3- Esse 3° condiz com o segundo, eu acho que o diretor quis puxar muito mesmo pro lado ocidental por causa da netflix ou sei la e deixou muito com os pés no ar. Digo isso, pois eu sempre vi muitos filmes e séries de ação de tudo que é lado do mundo e eu achei as lutas físicas bem ruins. Essa coisa ocidental de mover a câmera de um lado para outro de modo frenético na hora da troca de socos é algo muito peculiar que se mal usado só te deixa confuso e sem entender nada quem tá ganhando ou perdendo a luta, nesse drama tem MUITO disso, o diretor não soube usar esse recurso bem e todas as lutas físicas ficaram bem feias.

    É um drama ruim? Não, mas eu realmente não consegui sentir “ânimo” de assistir quando estava na segunda parte do drama, eu comecei a empurrar com a barriga e apesar de ter personagens MUITO bons como os que foram citados, a história não conseguia mais me prender e muito menos as cenas de ação.

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