Não sei nem como começar este texto. Abri o arquivo, digitei o nome do drama e só… fazem 28 minutos que estou encarando o documento em branco mas apreciando cada segundo da obra de arte que é a trilha sonora desse drama.

Não esperava absolutamente nada de Children of Nobody, eu nem estava cogitando começar o drama na verdade, porque li a sinopse e não me interessou. Acabei começando porque fiquei em dia com tudo que estava vendo e resolvi dar uma chance. Mas que grata surpresa, mas que surpresa MARAVILHOSA. Eu estou tão feliz que a primeira resenha do ano é sobre um dramão desses. Hahah nada como começar o ano assim, né? Quem sabe é um sinal.

Children of Nobody, também conhecido como Red Moon, Blue Sun é um suspense psicológico com uma temática pesada sobre abuso infantil. Um dos melhores dramas do gênero que já vi, o roteiro é genial e não há uma falha sequer ou ponta solta nesse drama. Intrigante, forte e cruel.

Children of Nobody
(Red Moon, Blue Sun)
붉은달 푸른해
Episódios 32 | Emissora: MBC | Ano: 2018-2019

Sinopse: Cha Woo Kyung é uma conselheira infantil. Sua vida parece perfeita já que ela é casada com um ótimo marido e está grávida de seu segundo filho. No entanto, tudo muda completamente quando um acidente acontece.
Ela então conhece Kang Ji Hun, um detetive que é rigoroso com os criminosos e acredita que eles devem ser punidos pela extensão total da lei.

Essa sinopse é 5% do drama, por isso que eu não havia me interessado ao ler. Então antes de continuar, vou complementar essa sinopse e falar um pouquinho mais da história. Não se preocupe que não vou dar spoilers, tudo que vou falar sobre o enredo daqui pra frente é somente sobre os primeiros episódios, nada comprometedor, até porque a graça é descobrir tudo aos pouquinhos.

Após o acidente Cha Woo Kyung (Kim Sun A) fica devastada pois ela causou a morte de um menininho e ela quer a todo custo encontrar a família dele a fim de se redimir. Mas ela não consegue e descobre que o menino era negligenciado. Estranhamente ela acaba envolvida em outros casos de crianças abusadas e rejeitadas, e quanto mais ela se envolve, mais crimes acontecem. Pra piorar tudo Cha Woo Kyung não consegue lidar muito bem com tudo isso e toda sua vida começa a desandar, principalmente seu psicológico, que acaba afetando todo o resto.

Ela tem “uma família feliz” com uma filha doce e esperando seu segundo filho, Cha Woo Kyung cuida da irmã que está em estado vegetativo no hospital e ainda lida diariamente com crianças que precisam de aconselhamento e tratamento psicológico em um instituto infantil. Claramente uma mulher tão comprometida e cuidadosa com as crianças ficaria em estado de choque total diante de todas essas situações que começam a cercá-la.

Misteriosamente Cha Woo Kyung começa a enxergar uma “menina de verde” que mais ninguém vê. A menina a leva para pensamentos e casos mais sinistros ainda.

Kang Ji Hun (Lee Yi Kyung) é o detetive responsável pelo acidente que a Cha Woo Kyung causou, e por isso, acaba responsável por todos os crimes e casos semelhantes que começam a surgir. Por tanto, o detetive Kang e a conselheira Cha Woo Kyung ingressam numa jornada de suspense, violência e crimes terríveis envolvendo diversas crianças e famílias.

No começo, parece que alguns casos e suspeitos estão conectados por pedaços de um poema. Nada faz sentido e as perguntas não param de surgir. Todo mundo começa parecer suspeito. E intrigantemente os casos têm algo em comum que nos faz questionar se tal vítima não merecia mesmo aquilo. Até que ponto podemos considerar um crime como um crime de fato? Me peguei diversas vezes mergulhada nesse sentimento paradoxal, e por mais que eu queria dizer pra mim mesma que eu estava errada, ainda não conseguia desviar da linha de pensamento que o drama quis nos mostrar. A gente acaba ficando com tanta raiva pelos infinitos casos de abuso infantil que nos faz questionar se o assassino não estava mesmo fazendo um bem para a humanidade. É dessa mesma forma que muitos personagens acabam pensando e nos deixando ainda mais confusos.

A trama nos joga nesse quebra-cabeças que parece não ter fim, mas mais do que descobrir quem é “o culpado”, a importância dessa história está no aprendizado que podemos obter ao acompanhar as lutas pessoais de cada um dos personagens. E essa é mais uma característica incrível desse drama.

Children of Nobody acaba nos apresentando personagens machucados fisicamente e psicologicamente. Desde as crianças da história até os adultos, todos tem alguma pontinha de trauma e dor que os assombram. E os motivos são vários, mas todos envolvendo crianças, pais e infância. Infelizmente, é uma realidade, e que na trama fez toda a diferença para deixar tudo ainda mais interessante.

O enredo é fortíssimo, é cruel e sombrio. É impossível não se arrepiar com certas cenas. E os diálogos intensos e profundos me tiravam o ar. Eu acompanhava cada segundo desse drama com o coração na mão. O roteiro é o que eu chamo de genial e caminha desde o primeiro episódio até o último com um suspense bem escrito, que nos mantém imersos na história, nos fazendo torcer de todo o coração por alguns personagens, odiar com todas as forças outros, e ainda entender os motivos de um monte de coisas que a princípio parecem loucura. Criei tantas teorias para esse drama e acabei sendo surpreendida de novo e de novo e de novo… Perdi as contas de quantas vezes fui enganada por esse roteiro magnífico. Esse drama realmente dá voz, de forma sincera e necessárian à um dos temas mais cruéis e mais ignorados que é o abuso infantil. Você pode até lembrar de Mother, como eu em alguns episódios, mas aqui a temática é explorada de forma bem diferente.

Felizmente Children of Nobody não tem uma falha, nenhuma ponta solta e nada está ali por acaso.

Agora voltando aos personagens. Ao mesmo tempo que Cha Woo Kyung estava devastada, ela também cresceu muito durante a trama. Um desenvolvimento que não esperava. Fiquei preocupada com ela de verdade. Pra mim aquela menina não estava ali por acaso e eu previa cenas de muito sofrimento. Alguém dá um oscar pra Kim Sun A, por favor? Que atriz maravilhosa, ela me fez chorar e me deixou agoniada. Eu sentia a dor através do olhar dela.

Sobre o detetive Kang só tenho elogios também, porque ele também teve um crescimento muito significativo ao longo dos episódios. Seus pensamentos, atitudes e coração, tudo nele evoluiu de uma forma sem igual. Adorei acompanhar esse crescimento, o qual me deixou com perguntas desde o primeiro episódio mas a roteirista teve o cuidado de não deixar uma ponta solta em todo os plots que o envolviam. Sério, obrigada roteirista Do Hyun Jung. Agora alguém também dá um oscar pro Lee Yi Kyung?! Por favor! Esse é de longe um dos seus melhores papéis. A sua atuação chegou em outro patamar e se eu já era fã e o admirava desde quando ele fazia somente pequenas participações, agora eu sinto ainda mais orgulho. Não tinha nada mais arrebatador do que ver o detetive Kang com sangue nos olhos! 🔥

E como foi agradável ver a parceria entre Detetive Kang e a Woo Kyung, ambos os personagens se completavam na trama, e juntos formavam uma dupla que eu aplaudia de pé. Eu adorava ver todas as conversas sinceras que eles tinham principalmente as que se passavam no consultório dela. Ela o “ensinando” sobre o comportamento das pessoas e ele a “ensinando” sobre o comportamento dos criminosos. Ela não tinha uma alma que confiasse no que ela dizia principalmente quando se tratava da “menina de verde” mas o detetive Kang é o único que mesmo com um pézinho atrás acaba confiando nela e só assim eles conseguem chegar tão longe. Ambos de idades diferentes, de áreas diferentes, com vidas completamente diferentes mas unidos com um mesmo objetivo.

Até agora só mencionei dois personagens, né? Ainda tem outros importantíssimos para o andamento da história. Começando pelo Lee Eun Ho (N do VIXX) um dos funcionários do instituto infantil que a Woo Kyung trabalha. Eun Ho é um moço bonzinho que “faz de tudo” no centro, ele é doce, gentil e adora ver as crianças sorrirem. Apesar disso, ele é uma das pessoas por quem o detetive Kang fica intrigado. Outro ator por quem eu só tenho elogios. N desempenhou esse papel tão brilhantemente que eu até esquecia que ele era o N, o idol, o bolinho cantor do VIXX. Sinceramente, só teve atuação boa nesse drama!

Outra pessoa que poderia ser suspeita em potencial aos olhos do detetive Kang é Jeon Soo Young (Nam Gyu Ri), uma jovem policial que se torna sua nova parceira na resolução desses casos.

Mas não posso terminar sem citar o elenco infantil que é sensacional e deu show de atuação. A Kim Eun Seo, filha da Woo Kyung (Joo Ye Rim), o doce Han Shi Wan (Kim Kang Hoon), a pequena e amorosa Ha Na, a linda menina de verde (Chae Yu Ri), a Bit Na (Yoo Eun Mi)… e por aí vai. Crianças que ganharam um espacinho no meu coração.❤

Por fim, termino o post deixando claro que Children Of Nobody é uma obra prima, um dramão brilhante que deve ser visto por todos. Lembrando que ele tem censura de 19 anos.

Pra essa obra de arte ficar perfeita, só uma OST no nível, né? Deixo aqui o link da playlist com a OST completa no Spotify, incluindo as músicas instrumentais, que são muito boas. Também tem no Youtube, pra quem não usa o Spotify. Amo todas as músicas, todas. Sério!

 

Ah, ainda sobre a parceria dos protagonistas que eu adorei, quero dizer que eles foram tão bem atuando juntos que provavelmente até eles curtiram demais essa amizade. O tanto de foto que o Lee Yi Kyung e a Kim Sun A postaram no instagram deles não é brincadeira! (Cuidado se você for ver as fotos e ainda não assistiu o drama porque eles são os reis do spoiler! hahaha) Eles claramente se divertiram muito durante as gravações e ficou evidente o quanto o elenco todo se deu bem dentro e fora das telinhas. Amo um elenco! 💕

 

Onde Assistir?

Tem Children Of Nobody legendado no Star Dramas Fansub e no Subarashiis Fansub.

 

E aí já viu? Gostou tanto assim? haha.

Até mais!
Beijos, Mari! 😘

 

Designer e publicitária viciada em café e gatinhos que um dia se apaixonou por cultura coreana e virou dorameira, louca dos sageuks e fã de k-bands. Criei o LoveCode, onde escrevo sobre cultura pop asiática há mais de oito anos.

3 Comments

  1. Cássia Clivati Reply

    Simplesmente fantástico!!! Com atuações comprometidas e que te faz perder o fôlego…diferente de Mother, onde eu assistia os episódios meio angustiada, e deprimida, mas considerei o melhor de 2018, neste drama vc se envolve, questiona e participa dos episódios!!! 10 pra sua resenha….como sempre, ótima!!!! Bjos

  2. Alguém dá um Oscar pra Sun A/ Yi Kyung!(2)

    Mari, amei o texto! Tempos que não me sentia tão eufórica vendo um drama! É um dos melhores roteiros, como você disse, sem pontas soltas, tudo encaixadinho, tudo tão perfeito, zero defeitos! Mais um que vou querer ver e rever, e já quero Yi Kyung em outro personagem dramático, tô apaixonada pela atuação dele!

    Bjs!

  3. A sinopse não dava muito valor ao que é o drama, realmente. Comecei a assistir por conhecer alguns atores, inclusive a Nam Gyu Ri.

    Concordo com o que você escreveu , porém tem algumas coisas que não são o foco mas quem não gosta que esse (s) fatore (s) faltem no drama podem não gostar muito desse.

    Um que lembro agora seria na questão de romance é quase zero e quando tem algo é bem leve ou somente insinua somente.

    A única coisa que não gostei muito é que o Detetive Kang Ji Hun (Lee Yi Kyung) é bem estupido com alguns personagens , principalmente a sua parceira Jeon Soo Young.
    Mesmo ela sendo meio fria e na dela, não justifica ele ter dado uns esporros nela de vez em quando.

    Tirando isso já vou sentir falta desse drama e espero por novos com temáticas semelhantes.
    Foi ótima sua resenha!

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