Faz muito tempo que eu não venho aqui não é mesmo? Espero que vocês não tenham desistido de mim. Os últimos dias foram muito corridos. Mas espero voltar logo com os vários posts que estou devendo. Mas fiquem atentos porque tem vários mesmo e eu pretendo postar tudo logo, logo. Agora vamos logo pro assunto do post…

The Crowned Clown não foi um drama muito amado por todos, mas eu, como sempre sou do contra e tenho vários pontos positivos. O primeiro deles é que é um sageuk (drama histórico), e isso já basta. Haha. Tudo bem, isso apenas não basta, mas estávamos com escassez de dramas de época e esse veio pra alegrar nós dorameiros sedentos por espadas, lutas, palácios e aqueles cenários deslumbrantes.

The Crowned Clown
왕이 된 남자
Episódios: 16 | Emissora: tvN | Ano: 2019

Sinopse: Joseon está em um estado de desordem devido a revoltas e uma luta pelo poder em torno do rei Lee Hun. Para evitar assassinato, um palhaço chamado Ha Sun é levado ao palácio para tomar o lugar do rei Lee Hun. Ha Sun parece quase idêntico ao rei.
Quando Ha Sun era criança, seus pais morreram durante uma epidemia. Ha Sun quase morreu de fome na época, mas ele foi salvo por um grupo de palhaços. Ele cresceu com os palhaços e se tornou um deles. Durante suas performances, Ha Sun atuava como o Lee Hun devido à sua semelhança física. Agora, Ha Sun está nervoso que alguém no palácio descubra que ele não é o verdadeiro rei. Ele se apaixona pela bela rainha Yoo So Woon.

The Crowned Clown é um remake do filme coreano Masquerade, lançado em 2012. Também foi ganhador de vários prêmios e conquistou o público sul coreano. Não vi o filme, então não farei comparativos nesse post. Vou falar apenas sobre o drama.

Lee Hun (Yeo Jin Goo) é o atual rei de Joseon, mas um monarca tirano que tem inúmeros inimigos que querem sua morte. Desde que chegou ao trono, Lee Hun vem cometendo diversas atrocidades e não tem piedade de ninguém, nem mesmo sua família.

Um dia, o rei fica sabendo que existe um palhaço no povoado que tem o rosto idêntico ao dele e por isso, ciente de que pode morrer assassinado a qualquer momento, o rei decide colocar o palhaço em seu lugar por alguns dias.

O palhaço é Ha Sun (Yeo Jin Goo) um homem completamente o oposto do rei, ele é bondoso e divertido. Ele veio de uma família pobre que se sustenta fazendo shows de comédia no povoado. Ele tem um amigo, o Gab Soo (Yoon Kyung Ho) e uma irmã mais nova, a Dal Rae (Shin Soo Yun), a quem precisa proteger com todas as força. Ele então decide “aceitar” a oferta devido a vingança que quer realizar contra um dos homens mais poderosos de Joseon. Eu digo “aceitar” porque na verdade o rei não deixa muitas opções para o Ha Sun, e se ele não aceitasse, teriam consequências também.

A substituição do rei, que era pra durar alguns dias acaba virando cada vez mais uma bola de neve e Ha Sun se vê preso na situação a partir do momento que o rei de verdade começa a enlouquecer, e seu servo e secretário Lee Kyu (Kim Sang Kyung) o mantém na posição por mais tempo.

É com a ajuda do secretário e do eunuco chefe (Jang Gwang) que Ha Sun vai aprendendo sobre os costumes do palácio, as tradições da família real e sobre a política e toda a briga pelo poder que o envolve.

Pra completar, Ha Sun acaba se apaixonando de verdade pela esposa do rei, a rainha Yoo So Woon (Lee Se Young), uma mulher dedica a ajudar o marido a ser um rei melhor, embora ainda deixe claro o quanto o despreza pela sua crueldade. Ela não faz ideia do que está acontecendo quando a troca acontece, mas percebe uma mudança brusca na personalidade no marido.

A premissa da história é muito interessante e com o passar dos primeiros episódios, o roteiro continuava me prendendo e me fazendo imaginar as guerras e confusões que poderiam surgir na trama. Primeiro, porque o rei verdadeiro estava extremamente enlouquecido. Além dele ser cruel por natureza, ele começa a ficar mal psicologicamente e machucar os outros não bastava, agora ele tinha visões que o atormentavam e começava a ferir a si mesmo. Para mim, ele não tinha condições nenhuma de se manter no poder. E o secretário chefe e o eunuco Jo tinham plena certeza disso, mas não poderiam deixar que essa notícia vazasse. Manter um “rei falso” no poder sob o controle deles era mais vantajoso do que anunciar vitória para os inimigos que poderiam destruir o país em minutos.

Outro ponto é que o Ha Sun estava conquistando os espectadores, e os personagens ao seu redor, cada vez mais. No princípio ele era só um gatinho assustado sedento por vingança, mas aos poucos, ele se transforma num verdadeiro rei. Ou “reizinho”, como o apelidei carinhosamente, pois a evolução dele não é do dia pra noite, quando ele vai aprendendo como agir e quais decisões tomar ele ainda tem seu coração puro e justo falando mesmo nas situações mais terríveis. Então só conseguia pensar o quanto ele era adorável vivendo a vida de um rei, desfrutando dos benefícios e   e sendo mais rei que o verdadeiro rei.

Neste momento já aproveito pra dizer que uma das melhores coisas desse drama é a atuação impecável do Yeo Jin Goo. Não que houvesse dúvidas do quanto o moço é talentoso, pois desde criança ele vem brilhando e dando show de interpretação. Mas é que, acredito que Jin Goo chegou num outro patamar. Adoro ver um ator fazendo dois personagens na mesma obra pois diz muito sobre o quão bom ele pode ser e claramente Jin Goo não decepcionou. Mesmo com fúria nos olhos, os dois personagens eram completamente diferentes, mesmo sorrindo, chorando, ou até caminhando. A diferença era notória e eu só sabia elogiar em todo episódio. E apesar de odiar o “verdadeiro rei” com todas as minhas forças, ainda assim, era agradável de ver suas cenas devido a atuação excelente.

E enquanto Ha Sun passa por inúmeras situações difíceis, ele vai se envolvendo mais com a rainha. Até certo ponto da narrativa, o casal fica adorável e doce. Mas acredito que essa “doçura” se torna monotonia em alguns episódios no meio do drama. E por ficar muito tempo no casal, sem mostrar cenas dos demais plots que a história criou, é que acho que o drama foi ficando cada vez mais morno. Comecei a sentir falta das tretas e da intensidade que vinha aumentando nos primeiros episódios e nos fez criar tanta expectativa.

A maior antagonista desse drama é o ministro de esquerda, Shin Chi Soo (Kwon Hae Hyo). Um dos homens mais poderosos no reinado, além de ser um dos homens de mais confiança do verdadeiro rei. Como antagonista, o achei no máximo “ok”. Ele tinha potencial para ser mais. A trama poderia tê-lo desenvolvido melhor, mas assim como alguns momentos de todo o resto, o antagonista também ficou um pouco morno. A rainha viúva é outra antagonista, como sempre em sageuks, não é mesmo? Também esperava mais.

O casal não era de fato o problema, eles eram até bonitinhos juntos e gostava daquele romance “puro” que me lembra um pouco dos dramas antigos, mas ao mesmo tempo sentia falta de vivacidade até neles. Eles poderiam ser fofos mas com sentimentos mais intensos. Não cheguei a odiar essas partes, mas sem dúvidas poderiam ter sido melhor trabalhadas. Principalmente o desenvolvimento da rainha. Acho que ela tinha potencial para ser muito mais do que ela foi, so invés de ser muito parada e dependente das atitudes do rei pra que ela sobrevivesse no palácio, ela poderia enfrentar mais a rainha viúva por conta própria. Poderia confrontar mais os poderosos, mesmo eu sabendo que isso era praticamente impossível naquela época.

Mas havia momentos que eu só queria guardar aqueles dois e cuidar com muito amor e carinho. O que eu mais gostava nas cenas deles é que a maioria foram criadas para encher nossos olhos de beleza. A fotografia perfeita, combinação de cores e cenários que deixavam o romance ainda mais belo.

E falando em cenas, não só quando se tratava de romance, mas em todo o drama, do começo ao fim, a tvN teve um cuidado muito grande com fotografia e detalhes. As cores eram lindas, os palácios também, as casas ou outros estabelecimentos, as cenas no povoado. Tudo com bem feito. Adorava demais as cenas abertas que mostravam o sol brilhando em meio as construções da época, assim como o close em pequenos objetos, decoração e mobília. Tudo lindíssimo e rico em detalhes.

Bom a “fase morninha” não dura até o fim do drama, pelo menos pra mim. A trama dá uma levantada a partir do episódio 13, e é mais ou menos por aí que meus elogios ao reizinho subiram ainda mais de nível. Principalmente porque o reizinho chega numa fase onde cada palavra que ele diz está cheia de fúria e justiça. E tudo começa ao voltar para os caminhos que nunca deveriam ter saído. Até o casal começa a me empolgar mais. O desfecho da trama foi um pouco corrido, mas cumpriu o papel de me tirar do sério e me manter preocupada até os últimos minutos.

Agora que já falei sobre o desenvolvimento da trama que teve seus altos e baixos, quero destacar um dos relacionamentos mais importantes entre os personagens e que não se trata de romance. Na verdade, o personagem até é envolvido num romancinho, esse com uma carga de dor do passado e uma química que eu não aguentava nem ver os dois pertinho que já queria juntos para sempre. Mas bom, vamos ao outro relacionamento.

Sabe quando eu disse, um pouco mais pra cima no texto, que o rei “falso” era mais que o verdadeiro rei? Pois bem. Há ainda um personagem que é mais rei do que os dois reis. Ele é o secretário Lee Kyu que eu cheguei a mencionar lá em cima. O homem cuidava do rei e sentia muito por ele. Apesar de toda a crueldade naquele coração, era possível sentir o quanto o secretário prezava por ele e lutou até o último momento pra que ele fosse capaz de mudar, de se tornar um rei melhor. Ele se arriscava dando opiniões contrárias, ou mesmo agindo em situações de extremo perigo pra ele. Ele só queria que o rei fosse bom para a nação. Com a chegada de Ha Sun, ele praticamente se torna rei, dando ordens e ensinando Ha Sun, que o obedecia e sabiamente aprendeu muito com ele.

Lee Kyu era sábio e inteligente, ele prezava pelo bem de Joseon e aos poucos a raiva inexplicável que sentia por Ha Sun se transformou num em carinho e admiração. Ele enxergou que pela primeira vez na sua vida, alguém que nem era da família real seria capaz de proteger uma nação melhor do que ninguém. E o relacionamento deles vai crescendo a cada episódio. A desconfiança e a angústia dão espaço ao companheirismo e lealdade.

Eu realmente fiquei emocionada com algumas cenas em especial. Da mesma forma que o eunuco chefe também era um dos homens admiráveis que ajudou a construir o caráter de rei do nosso reizinho Ha Sun. Enquanto Lee Kyu era severo, o eunuco Jo mostrava que coração bondoso também poderia e deveria ser parte de um reinado exemplar. 💛

Por fim, The Crowned Clown não é pra todos mesmo, se você gosta de sageuk com certeza vai gostar desse, embora tenha momentos que queira aumentar a velocidade do vídeo pra ver se as coisas andam pra algum lugar. Mas esses momentos passam e é possível tirar dessa trama boas lições de companheirismo, além de nos divertirmos com a simplicidade e beleza interior (e exterior) de Ha Sun que rouba o drama e nossos corações.

Ah, e tvN não pecou na OST, principalmente instrumental que me tirava o fôlego só de ouvir os tambores. Tem a playlist aqui.

 

Onde Assistir?

Tem The Crowned Clown legendado no Kingdom Fansub.

 

 

Volto logo, prometo. 🙂

Beijos, Mari.

Designer e publicitária viciada em café e gatinhos que um dia se apaixonou por cultura coreana e virou dorameira, louca dos sageuks e fã de k-bands. Criei o LoveCode, onde escrevo sobre cultura pop asiática há mais de oito anos.

1 Comment

  1. Eu simplesmente AMEI esse drama! Maratonei em 2 dias e nem lembro a última vez que uma história me fez ficar tão ansiosa e desesperada-preocupada-ansiosa-apaixonada (talvez pela grande seca de sageuks que passamos em 2018 x.x)
    Yeo Jin Goo tá impecável! tô apaixonada! que Rei maravilhoso! Esse sageuk foi uma mistura de tudo que amo: Reis tiranos+Companheirismo+MUITA TRETA! Era tanta treta em cada ep que eu nem sentia falta do romance ahahaha (apesar de ter amado o casal).
    Menção honrosa pro ep 13 que me fez subir nas tamancas e enlouquecer com o show do nosso querido reizinho <3 Sofri demais com o Rei e o Haksan, aquela cena na praia… Com o Eunuco Cho então, naquela despedida? x.x sofri demaaaais com esse final emocionante e lindo, que realmente, me preocupou até o último segundo, com certeza já tá entre os meus favoritos de 2019 <3

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