Hoje é dia de falar de um sageuk, felizmente! Este é o segundo drama coreano de época lançado neste ano, e claro que não poderia deixar de escrever sobre ele aqui. Para quem não sabe, este é o meu tipo de drama favorito e vocês devem estar cansados de me ver falando daquele post com os motivos para assistir sageuks, mas eu estou colocando o link aqui novamente porque sempre chega novos leitores no blog (obrigada, lindinhos) e não canso de falar que sageuks são sim muito bons, embora poucos gostem.

Hoje é sobre Haechi e eu estou incrivelmente atrasada nesse post. Era pra ter vindo aqui há um mês atrás e olha só. Perdão, mas às vezes precisamos deixar a lista de doramas crescer (e de posts!) para fazer as atividades da vida real.

Haechi é um drama que aborda política, justiça, corrupção e poder, mas com um roteiro que caminha diferente do usual mesmo com esses clichês de dramas de época como assunto principal. A trama desenvolve bem os personagens, que são cativantes e formam um dos grupos de companheiros e amigos que mais gostei nessa vida dorameira. Lealdade, companheirismo e cuidado com o povo e os necessitados, também são assuntos tratados em Haechi, e a emoção é real.

Haechi
해치
Episódios: 48 (30 min.)
Emissora: SBS | Ano: 2019

Sinopse: Situado durante o período da dinastia Joseon, quatro pessoas com vidas completamente diferentes se unem para tornar o príncipe Lee Geum o próximo rei e reformar o Saheonbu. As quatro pessoas são Lee Geum, Yeo Ji, Park Moon Soo e Dal Moon.
Lee Geum é um príncipe, mas, embora seja esperto, não é reconhecido como um príncipe devido a sua mãe ter vindo da classe mais baixa.
Yeo Ji uma damo em Saheonbu. Ela investiga casos com entusiasmo e tem um talento para as artes marciais e línguas estrangeiras. Yeo Ji é a melhor investigadora de Saheonbu, incluindo os investigadores do sexo masculino.
Park Moon Soo quer se tornar um oficial público. Ele não é muito esperto, mas é honesto e terno com outras pessoas.
Dal Moon é um palhaço famoso que é bom em artes marciais.

 

Antes de começar a falar da história do drama, vamos a alguns pontos importantes para entender o rumo e os objetivos dos personagens na trama.

Primeiro: Haechi (em hangul 해치) é um animal lendário coreano, capaz de discernir entre o inocente e o culpado, o bem e o mal e protege a justiça.

Segundo: Saheonbu (em hangul 사헌부) é um órgão de inspeção criado durante as dinastias Goryeo e Joseon. É o responsável pelo licenciamento de funcionários do governo, impeachments e julgamentos legais. Os poderes desse órgão se estendem ao controle até mesmo do rei e seus subordinados.

Haechi é o principal símbolo da Saheonbu e é mencionado diversas vezes no drama, sendo também um animal admirado pelos personagens principais.

É importante entender sobre eles, pois é o posicionamento e a base fundamental da trama. A atual administração da Saheonbu é corrupta e o governo não fica atrás, o rei e os ministros estão com olhos fechados para as necessidades do povo, liderando somente por interesses pessoais. Sendo assim, a história caminha para a reconstrução do verdadeiro significado de Saheonbu e o do “ser um líder”. Por isso, ao mesmo tempo que é sim um sageuk repleto de política, é também diferente por abordar assuntos de moralidade e justiça mais focado no povo, nas suas necessidades e na caminhada de pessoas comuns até o poder – pessoas essas com sinceridade de coração, e não somente no palácio e nos senhores ministros como muito já explorado em outros dramas de época.

Os personagens principais são muito distintos, desde sua origem até sua personalidade. Eles são de mundos totalmente diferentes, eles nem se conhecem, mas ao longo da sua jornada e seus objetivos de vida se encontram e criam fortes laços. Laços que a princípio parecem uma aliança política, em outros momentos, questões de lealdade para com a nobreza, mas a verdade é que é de fato, uma amizade sincera e leal. Podemos acompanhar então a trajetória desses quatro personagens em busca de justiça com o reino e o povo, principalmente.

E essa amizade é definitivamente o que mais gostei em Haechi. Não foi nada forçado, ou sem sentido, eles não se encontram e viram amigos do dia pra noite. O roteiro desenvolve muito bem os personagens, suas histórias e lutas pessoais, o que os levaram até onde estão e seus objetivos para se envolver numa luta aparentemente muito complicada contra poderosos. A forma como eles passam juntos por situações, os envolve naturalmente e com isso, o grupo se forma, criando momentos que nos emocionam muito ao longo dos episódios.

Eu confesso que achei o roteiro um tanto lento também. Apesar do ótimo desenvolvimento dos personagens, em alguns momentos me sentia inquieta com a trama, querendo que alguma coisa a mais acontecesse, mas isto se deu mais nos primeiros episódios. Da metade pro fim, eu me peguei viciada no drama e assisti aos episódios um atrás do outros, devorando cada segundo. Provavelmente pela amizade já ter sido consolidada neste ponto, portanto os personagens estavam submersos numa série acontecimentos inesperados, plot twists e muita emoção.

O plot principal da trama é a trajetória de Lee Geum (Jung Il Woo) até o trono – e um pouco além. Ele é filho do rei Yeongjo, mas por sua mãe ser uma serva, ele nunca foi considerado apto para ser príncipe herdeiro e era afastado da realeza por todos. Mas Lee Geum nunca se importou com isso mesmo, seu desejo nunca foi ser rei, pelo contrário, ele era quem ajudava a manter alguns de seus irmãos na posição, já que os norons e sorons (partidos políticos da época) não aceitavam e não apoiavam alguns dos filhos do rei.

Eu logo me peguei pesquisando sobre os partidos políticos da dinastia Joseon para também entender o posicionamento de cada um e seus motivos para rejeitar tanto certos filhos do rei para a posição de príncipe herdeiro. Olha só o que esse drama fez comigo. Na verdade, não passam de partidos políticos com ideais diferentes. Há tanto norons quanto sorons como conselheiros e ministros e por isso, muitas vezes, o rei é pressionado e toma atitudes duvidosas baseando-se nos conselhos (eu diria ordem e pressão) desses partidos políticos que podem a qualquer momento usar seu poder para acusar, matar e até destronar um rei.

Mesmo sem o desejo de ser parte dos assuntos políticos, Lee Geum presencia várias tragédias envolvendo seus irmãos, a luta incansável de poderosos querendo os tirar do poder e com isso, seu caráter e senso de justiça o chamam naturalmente. Quando menos percebe Lee Geum já é um forte candidato a rei, e para proteger as pessoas que ama e a nação, ele acaba aceitando “o destino”, mas claro que o preço é absurdo. Ele deve abrir mão de sonhos, de amigos e família.

 

Park Moon Soo (Kwon Yool) é a honestidade e lealdade em pessoa. Por mais que tenha um coração enorme e muita vontade de fazer parte do governo como um oficial, ele já prestou a prova mas não consegue passar nunca, e um dos motivos é corrupção até mesmo nisso. Ele é tachado de burro por muitos, e de fato é um tanto atrapalhadinho sim. É um personagem cômico, e importantíssimo com sua paixão por justiça e ajuda ao necessitado.

No começo, o personagem pode até ser um tanto irritante, ele parece muito caricato, mas com o desdobramento da história, o Moon Soo passa a ser um docinho de leite. Ele é muito carinhoso com os amigos, com as pessoas, ele é um homem respeitador. Não tem como não amar esse ser humano. Vou ser sincera, eu tinha muitos sentimentos negativos em relação ao ator, por sempre odiar seus personagens, mas agora não mais. Obrigada Haechi por me proporcionar essa alegria. Park Moon Soo você merece o mundo!

“Só porque todo mundo faz isso, não significa que seja certo.” – Park Moon Soo

 

Yeo Ji (Go A Ra) é uma damo (policial feminina da época) na Saheonbu, ela é excelente em tudo o que faz, a melhor investigadora da organização. Ela é boa de briga, boa de espada, boa nos disfarces… ela é perfeita, isso é fato. Ela também tem senso de justiça e luta pelo bem das pessoas. Ela odeia ver a corrupção entrando na Saheonbu. Fiquei muito orgulhosa por uma personagem como Yeo Ji num drama de época. Posso contar nos dedos de uma mão os sageuks com personagens femininas que lutam e conquistam seu espaço com ousadia e determinação. Além disso, a personagem é ótima em lutas, algo que eu particularmente adoro. – não posso ver uma mulher lutando que já amo, se eu tivesse os dons para isso eu provavelmente mudaria de profissão. haha

Aliás, as mulheres são muito bem representadas nesse drama. Há outras personagens que também são espiãs e lutadoras e mesmo quando não são “da ação”, ainda são bem independentes. A Go A Ra estava ótima em sua atenção e me surpreendeu muito, principalmente porque eu estava preocupadíssima, já que o último drama histórico que ela fez não me agradou em nada. Mas olha, em Haechi, está maravilhosa.

 

Dal Moon (Park Hoon) é o que eles chamam de “palhaço”, mas para nós é um homem comum de classe baixa, mas respeitado pelas pessoas do povoado por ser um excelente lutador. Ele é conhecido também por fazer “trabalhos” por dinheiro. Ele não confia na nobreza e tudo o que faz é pelo bem das pessoas ao seu redor.

Eu não pensei que teria alguma surpresa com esse personagem, sinceramente. Mas Dal Moon, você é sensacional. Apenas isso. Park Hoon é um ator excelente, Coreia, coloca esse homem em mais papéis!

“Haechi… eu não posso acreditar que existem pessoas que ainda esperam virtude do poder” – Dal Moon

Essas 4 pessoas extremamente diferentes, serão o grupo que vai revirar Joseon e trazer justiça novamente. Já os antagonistas são muitos, vou destacar apenas alguns.

Começando por Min Jin Hun (Lee Kyung Young), um dos ministros que mais se opunha a tudo que o príncipe Lee Geum fizesse. Esse personagem tem um crescimento tão bom. Eu adoro quando o roteiro me faz odiar alguém e ao mesmo entender seu lado, sabe? Enquanto eu discordava de muitas coisas, também compreendi o porque dele ser o homem que é. Seu senso de justiça foi sumindo ao longo do tempo conforme ele via as crueldades cometidas em busca de poder e status. Min Jun Hun tem um desenvolvimento que me fez admirar o personagem em certo ponto, e fiquei de fato muito surpresa por algumas atitudes dele.

“Para ser honesto, a vida e a política são sobre sonhar com o impossível e progredir lentamente, um passo de cada vez.” – Min Jin Hun

Já não posso dizer o mesmo sobe Wi Byung Joo (Han Sang Jin), ele é um dos chefes da Saheonbu e um vilãozinho patético, na minha opinião. O típico cara que faz de tudo por dinheiro, e com isso, segue ordens de ministros e poderosos ao invés de lutar de fato contra a injustiça. E Lee Tan (Jung Moon Sung), um dos príncipes que quer tomar o trono, também é tão patético quanto, só que muito mais cruel e violento. Este me deixou com sede de justiça, que vontade de vê-lo pagar por tudo o mais rápido possível. Em compensação, o ator foi muito bom. É a segunda vez que o vejo interpretando um antagonista e suas expressões realmente me surpreendem.

A história pode até caminhar lentamente em alguns momentos, mas é quase impossível não amar como tudo acontece. Não só o príncipe Lee Geum, mas todos os personagens fazem sacrifícios, desistem de seus sonhos, lutam incansavelmente pelo bem da nação. E eu simplesmente amei todos os esses momentos que só fortaleceram aquela amizade entre os quatro protagonistas que tanto amei.

Acredito que o foco do drama nem era romance, porque até tem, mas realmente bem pouco. Se estou reclamando? De jeito nenhum. Foi o suficiente para deixar a trama mais lindinha e aquecer o coração sem estragar o desenvolvimento do plot principal. ♥ Yeo Ji e Lee Geum muito lindinhos.

Por fim, Haechi é um drama sobre justiça, política, poder e corrupção. Embora aparente ser mais dos clichês em dramas coreanos de época, ainda assim vale a pena pela forma, muitas vezes poética que o assunto é abordado. Os personagens são carismáticos e juntos formam uma aliança de companheirismo e lealdade realmente inspiradora.

 

 

Onde assistir?

Tem Haechi legendado no Unnie Fansubs.

 

 

Curiosidade: o protagonista, Lee Geum é o filho de uma serva e escrava. A história da mãe dele é contada em Dong Yi, drama exibido em 2010 pela MBC. Não assisti ao drama, mas vi muitas pessoas dizendo que é muito bom, afinal é um clássico, e também é importante para entender como o caráter do príncipe Lee Geum foi formado, já que mesmo longe do palácio recebia amor de diferentes maneiras da sua mãe e seu pai.

 

Recomendo: o episódio do Running Man com o elenco de Haechi, tem legendado no Subarahiis.

 

Beijos e até logo,

Mari.

Designer e publicitária viciada em café e gatinhos que um dia se apaixonou por cultura coreana e virou dorameira, louca dos sageuks e fã de k-bands. Criei o LoveCode, onde escrevo sobre cultura pop asiática há mais de oito anos.

3 Comments

  1. Mari!!!
    Adoro o blog e sempre passo por aqui… Dong Yi é maravilhoso, vale a pena assistir!

  2. CARLA SILVA Reply

    Mariii… faz um tempáo que náo comento por aqui! foram longos meses de gestação e agora a minha bebe ja tem 6 meses, tenho muitos livros atrasados e meus doramas também, alguns na NETFLIX consigo ver e acompanhar~, continue com suas resenhas estarei sempre por aqui agora! ainda não consegui ver esse! espero encontrar.

    bjinhosss

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