Desde os teasers, Tell Me What You Saw prometeu ser um drama policial mais intenso que os outros, apresentando um suspense aparentemente promissor com a história de uma policial e sua memória fotográfica. De fato, o drama é um tanto diferente dos demais dramas sul coreanos do mesmo gênero, mas não devido a uma história que foge do convencional. Aqui, o principal antagonista é mais macabro e os crimes são brutais e muito cruéis. Todo o tom do suspense é pesado, repleto de personagens frios que tornam a experiência, às vezes, um tanto perturbadora.

Mesmo se comparado a outros dramas da própria OCN, que já possuem essa característica, acredito que se aproxima bastante de Voice, drama que também foi ao ar pela emissora em 2017 e a segunda temporada em 2018.

Tell Me What You Saw
본대로 말하라
Episódios: 16
Emissora: OCN
Ano: 2020

Sinopse: Oh Hyun Jae costumava ser um profiler genial. Ele resolveu muitos casos com suas habilidades, mas uma explosão causada por um serial killer, acabou com a vida de sua noiva. Após o terrível incidente, ele desapareceu e agora vive em reclusão.
Cha Soo Young é uma policial em uma área rural que tem a habilidade de lembrar de tudo que já viu. Devido à sua aptidão ela é selecionada como a nova parceira informal de Oh Hyun Jae.

Apesar de Tell Me What You Saw ter essa intensidade ao contar a história, o roteiro não tem nada de muito novo e talvez o ritmo seja um pouco inconstante, com episódios que passam num piscar de olhos e outros um tanto arrastados. No entanto, um ponto positivo do enredo, é que todos os crimes e casos levam para o objetivo principal da trama, assim como todos os personagens – até os secundários, e por mais que o ritmo pecasse um pouco, o meu interesse se manteve já que o assassino, aqui conhecido como “bala de menta”, parecia cada vez mais perto, nas minhas teorias. Ele não é revelado somente no fim da história, o que considero como mais um ponto positivo já que ainda tinha muito para acontecer mesmo depois disso e quando acontece, é uma das melhores parte da história.

Ainda sobre roteiro, agora falando de um ponto negativo, alguns personagens poderiam ter sido melhor desenvolvidos. Senti falta de complementos. Mesmo que todos sejam necessários para a fluidez da narrativa, e mesmo tendo suas histórias pessoais apresentadas e seus momentos em cena, ainda faltaram alguns pontos específicos e, pretendo falar mais deles em breve.

Realmente não tenho muito problema em ver cenas fortes, mas para minha surpresa, uma cena em especial nesse drama me chocou. Outras são cobertas de sangue e o método que o assassino usa é muito cruel mesmo. Há muita violência contra mulheres nesse drama. Então deixo aqui o aviso, porque por incrível que pareça, foi classificado para maiores de 15 anos, apenas.

Oh Hyun Jae (Jang Hyuk) é um ex detetive que vive isolado devido ao acidente que matou sua noiva. Ele sempre foi muito talentoso e inteligente, foi o profiler mais famoso da Coreia por muitos anos e por isso, também foi odiado por assassinos. Desde o ocorrido com sua noiva, ele só pensa em vingança e pegar o criminoso que para ele, ainda não morreu. Mas sem acesso ao seu antigo trabalho na polícia ele resolve agir secretamente e por conta própria. Para isso ele conta com a ajuda da detetive Hwang Hwa Young, sua ex colega de trabalho e com uma jovem policial que tem um talento um tanto peculiar.

Ela é Cha Soo Young (Sooyoung), uma mulher que vive uma vida tranquila como policial numa pequena cidade. Por conta do acidente que matou sua mãe no passado, ela adquiriu uma habilidade especial, Sooyoung tem memória fotográfica e consegue lembrar de pequenos detalhes que ninguém sequer enxerga. Soo Young logo ganha a atenção do Oh Hyun Jae e da detetive Hwa Young.

Hwang Hwa Young (Jin Seo Yun) foi amiga e colega de trabalho do Hyun Jae por muitos anos, por isso, ela é a única que sabe onde ele vive e em que condições. Ela o informa dos casos e sempre que um suspeito parecido com o “bala de menta” surge. Hwa Young é muito determinada e como detetive, uma líder exemplar.

Oh Hyun Jae é um dos motivos para eu ter mencionado que o drama é um pouco perturbador. Às vezes, mais que o antagonista, Hyun Jae me incomodava de uma forma sem igual. Ele não é o mocinho da história e deixava isso claro o tempo todo, ele era um homem que desejava vingança pela destruição da sua felicidade. Mesmo que isso lhe custasse a vida. Ele não tinha prazer em mais nada, nem sentia mais nada, o que ficava bem evidente em suas falas, principalmente nos diálogos com a Sooyoung.

Nessa “briga” entre ele o serial killer, muitas vidas foram sacrificadas, mas parecia que Hyun Jae já estava tão anestesiado que ele não sentia absolutamente nenhum remorso ou pena, embora lutasse sim para impedir que os assassinatos continuassem. Parecem algumas características clichês de histórias policiais, contudo a atuação do Jang Huyk fez toda a diferença. Eu sentia a dor do personagem e toda sua luta interna, seu olhar expressava a pena que ele sentia dele mesmo, misturada com ódio e orgulho. Era como se estivesse preso dentro de um vulcão prestes a explodir.

Como “mentor” para a Sooyoung, ele também ria com desdém de sua inocência e perseverança. Ele a achava incapaz de ser uma detetive de sucesso, justamente pelo seu coração esperançoso e pela pessoa calorosa que ela era – a única na trama. Provavelmente enxergou nela, alguém que um dia ele foi e sabia que não voltaria. Enquanto isso, ela enxergava nele, alguém que precisava de ajuda mesmo negando com todas as palavras e atitudes. E ela, mesmo sendo essa pessoa que ele não colocava fé como profissional, era a única que podia ver o verdadeiro Hyun Jae.

Essa mensagem sobre “enxergar a verdade” é que faz jus ao nome do drama e, para mim, é um dos pontos altos da trama, já que se tratava de uma narrativa tão sombria, ainda tinha uma pontinha sentimental.

“Sooyoung, me diga o que você viu.” – Oh Hyun Jae

Sooyoung pode ser um pouco lerda, às vezes, mas ela veio de outra realidade. Quando começa a lidar com casos cruéis ela começa a mudar e pega pra si a mesma determinação que Hyun Jae e Hwa Young possuem. Ela também tem um caso do passado que precisa resolver e estar nessa nova equipe pode ajudá-la muito.

A memória fotográfica da Sooyoung é uma “arma” preciosa para a equipe policial e acredito que deveria ser também para a trama. No entanto, achei que foi cada vez menos utilizada ao longo dos episódios. Por causa dessa memória, ela torna-se “os olhos” do Hyun Jae, que através de um dispositivo de escuta, a orienta por onde ir e como agir ao investigar os casos. Essa premissa, para mim, foi sensacional e gostava muito quando acontecia. O suspense das cenas era ainda maior já que ele não estava vendo de fato, mas sendo guiado pelo que ela via. Esse tipo de situação foi diminuindo, mas gostei que a importância desse dispositivo e dessas experiências foram especiais tanto para eles, quanto para a mensagem que a história passa.

A atuação da Sooyoung foi também impecável. Foi o primeiro papel da atriz que vi em um drama mais pesado como esse. Apesar de sentimental, ela precisava se manter firme e também sofria o tempo todo.

Quanto a Hwa Young, foi a que mais senti falta de um complemento em sua história. Não vou dizer exatamente o que é devido aos spoilers aqui, mas alguns de seus motivos não foram suficientes para mim. Algumas escolhas suas foram dúbias e eu não sei se foi intencional do roteiro, ou apenas um ponto que foi esquecido. A atriz também foi excelente.

O time de policiais da delegacia são personagens que também agregam fatos na trama. Não vou citar um por um, mas deixo aqui a menção honrosa para esse time por serem especiais de algumas formas. Preciso dizer também minha indignação, pois mais uma vez, o estereótipo da polícia incapaz foi usado. Infelizmente. Raros são os dramas coreanos que a polícia é realmente eficaz. Geralmente apenas o protagonista é bom no que faz.

Gostei muito da combinação do elenco. Não esperava que Jang Hyuk e Sooyoung pudessem fazer uma dupla tão cativante embora estranha, às vezes, pela complexidade dos personagens.

Um destaque para o Kang Dong Shik  (Eum Moon Suk) que até agora não citei, ele é amigo da Sooyoung na trama e gosto muito desse ator. Ele só esteve em outro drama que assisti, que foi The Fiery Priest mas já admiro muito.

O desfecho foi bem completo e este é mais um ponto positivo pro drama. Talvez mereça até dois pontos por isso, ou mais. São raros os dramas policiais com um bom final.

Por fim, acredito que Tell Me What You Saw, pode ser uma boa experiência para quem gosta de bons suspenses policiais, mas melhor ainda se for sem grandes expectativas de um roteiro muito inovador. No quesito atuação, continuo enfatizando que o elenco é muito bom e Jang Hyuk é sempre excelente em tudo que faz.

“- Nem todas as verdades são vistas com os olhos.
– Se nem tudo o que eu vejo é verdade, então o que eu deveria ver?
– O que as pessoas querem falar.”

Termino o post com um MV da música Be Colored da Kim Yuna para a trilha sonora do drama. (Pode conter spoilers. Cenas dos episódios 1 e 2). Comprovando que a qualidade de produção é impecável.

Onde assistir?

Tem Tell Me What You Saw legendado no Kingdom Fansub.

Até logo,
Mari. 🙂

Designer, publicitária, viciada em gatinhos, café e doramas. Criadora e autora do LoveCode - que publica conteúdo sobre entretenimento asiático há nove anos.

2 Comments

  1. Eu gostei bastante do drama, mas como você disse a memória da policial passou a ser menos utilizada nos episódios finais e isso era algo que eu gostava muito e senti bastante falta. Mais ou menos no meio do drama eu achei que tal personagem era o psicopata que o protagonista tanto procurava e realmente era, achei que a escolha da roteirista foi bastante inteligente. Porém, eu gostei muito mais desse drama até o episódio 9, a parte em que eles descobrem e vão lidando com o psicopata que o Hyun Jae procurava achei esses episódios um tanto arrastados e me via querendo terminar logo.

  2. Concordo demais com o que vc escreveu! Gostei muito do drama mas várias coisas foram me incomodando do meio pro fim, como a empatia zero do Hyun Jae com as pessoas. Mesmo q eu entendesse o pq dele ser assim, mtas vezes eu não via diferença entre as ações dele e as do “vilão”. Outra coisa ruim que tb achei foi como “poder” da Soo Hyun foi sendo bem menos usado. Pra mim, já que o drama era sobre essa habilidade dela, deveria ter sido melhor aproveitado. Mas no geral gostei mto dos personagens e chorei com várias histórias, aquela do sequestro do menino surdo acabou comigo!

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