Há muito tempo eu não fazia uma maratona tão rápida de um drama. Dessa vez, quis dar uma chance a um drama que na época de lançamento não comecei pois estava numa fase corrida, e depois, acabei deixando na famosa lista que não tem fim. O que me incentivou novamente a vê-lo foi o prêmio recente de Melhor Drama no 2020 (56th) Baeksang Arts Awards.

Stove League conquistou o coração dos espectadores e não é à toa. A audiência ao longo de sua exibição teve altas classificações e o episódio final registrou a pontuação mais alta. Hoje, após devorar os episódios, entendo perfeitamente o porquê desse sucesso. Não se trata somente de um drama esportivo, Stove League é sobre seres humanos e transmite ótimas mensagens sobre a vida.

Stove League
(Hot Stove League)
스토브리그
Episódios: 16
Ano: 2019-2020
Emissora: SBS

Sinopse: A história se passa no período de preparação de um time de beisebol da liga principal e se concentra em um time perdedor que se prepara para uma temporada extraordinária após a chegada de seu novo gerente geral.
Se Young é a chefe mais jovem da equipe de gerenciamento do Dreams, ela é altamente reconhecida por sua perseverança e intensa paixão pela equipe. Um dia, Seung Su é contratado como gerente geral. Embora ele tenha trabalhado no campo esportivo, ele nunca liderou uma equipe de beisebol, e algumas foram dissolvidas após vencer a liga devido às dificuldades financeiras de suas empresas controladoras. Esse novo gerente geral infeliz seria capaz de levar o Dreams ao campeonato com a apaixonada Se Young?

Stove League é o primeiro trabalho da roteirista Lee Shin Hwa. Já podemos comprovar que ela tem talento e estou ansiosa para os próximos trabalhos dela. O diretor é Jung Do Yoon, o mesmo de Defendant – outro drama que eu adorei-, ou seja, só temos talentos aqui e eu nem comecei a falar do elenco ainda.

Dramas sul coreanos de esporte não são muito comuns além de não serem a preferência do público – brasileiro, nesse caso. Talvez por isso, muitos o tenham deixado naquela famosa lista para ver depois, ou nem mesmo, adicionaram nela.

Mas estou aqui, escrevendo este post hoje, principalmente para dizer a vocês, que Stove League está longe de ser apenas um drama de esporte.

Apesar da temática principal ser o beisebol, Stove League aborda diversos tópicos e entre eles, estão assuntos necessários, assuntos que eu gostaria de ver mais em dramas sul coreanos.

A história principal gira em torno da gerência de um time de beisebol, o Dreams. Essa gerência é praticamente uma empresa, composta por diversos departamentos responsáveis, logo encontramos aqui algo similar aos dramas de escritório. Por isso, também há muito sobre jogos de poder, conflitos de interesse e os problemas do dia-a-dia no trabalho. Mas calma, não é tão simples assim.

Outros tópicos importantes para debate que estão presentes na trama são, por exemplo, as pessoas com deficiência física e seu espaço no mercado de trabalho, principalmente sendo na área esportiva. Acho que é apenas o segundo drama que eu vejo que dá um destaque para uma pessoa com deficiência física, mostrando suas dificuldades e vitórias diárias. Pensando agora, só lembro de Life.

Também há a discussão sobre o espaço da mulher no esporte, a protagonista do drama está numa posição de gerência de um time de beisebol, e é enfatizado diversas vezes que ela é a primeira mulher a ocupar o cargo. Esse é um marco na história do drama, mas e na vida real, quantas mulheres estão ocupando este espaço e sendo reconhecidas por isso? Além disso, também mostra brevemente o preconceito com a mulher mais velha, supondo que ela sempre terá uma família para cuidar e por isso, deixa de lado suas obrigações no trabalho.

A narrativa aborda ainda, o favorecimento de parentes em cargos de comando – o que vemos muito em outros dramas sul-coreanos de qualquer gênero-, o nepotismo está presente em quase todos eles. Vemos também críticas ao poder da mídia, seja para o bem ou para mal, a corrupção e suborno. O patriotismo coreano e a importância do serviço militar para a honra de qualquer homem.

E claro, que vemos também sobre o beisebol, de fato. Se você não entende nada de beisebol, como eu não entendia, não se preocupe, pois o enredo é tão perfeito, que explica o que precisa ser explicado, e não ficam dúvidas. A trama segue um ótimo fluxo, e nos faz entender os motivos das ações “técnicas” do esporte. Com isso, terminamos o drama não somente entendendo pelo menos um pouco mais de como o beisebol funciona, mas também com uma incrível bagagem de histórias sobre seres humanos, histórias de superação e evolução. Histórias de fé e de coragem. Stove League é uma obra prima.

O enredo de Stove League é uma combinação perfeita de assuntos necessários e uma temática esportiva, o que o torna algo totalmente novo nessa dramalândia. Um refresco para nossos olhos e corações. Sinceramente, eu queria que todos dessem uma chance a esse drama.

O Dreams é um time de beisebol que não tem um bom histórico de vitórias, é conhecido como um time fraco e perdedor. Ainda assim, com muitos fãs fiéis ao longo de sua existência. O time pertence a empresa Jaesong, o que na verdade, é um grupo que gerencia outras empresas de vários ramos, deixando o Dreams de lado porque não gera lucro.

Após derrotas constantes o gerente geral do Dreams resolve se aposentar e é quando contratam Baek Seung Soo para ocupar o cargo. Ele nunca liderou um time de beisebol, seus outros trabalhos foram em times de Handebol, que logo após vencer foram dissolvidos, por isso é um pouco rejeitado no início, sendo contratado especialmente pela liderança da Jaesong que tem um novo objetivo: desfazer o Dreams.

Baek Seung Soo (Nam Goong Min) parece um homem apático, a princípio e não é aprovado pelos funcionários do Dreams, principalmente quando chega querendo fazer mudanças que parecem loucura aos olhos daqueles que já estão administrando o time há anos. No entanto, ao longo dos episódios, Baek Seung Soo vai mostrar a eles, aos jogadores e aos espectadores suas intenções de eliminar a corrupção e o desânimo tornando o Dreams um time forte e vencedor.

Essa é uma tarefa difícil e uma das coisas que me fazia acompanhar cada segundo do drama com altas expectativas sobre as estratégias absurdas, porém muito inteligentes do Baek Seung Soo, além de ficar incomodada com tantos problemas que o time acomodado acumulou ao longo dos anos. Lembrando que “time”, nesse caso, incluem os funcionários e presidência, não somente os jogadores, o que é mais um ponto positivo, já que a trama explora que os problemas não estavam só naqueles que entram em campo. Toda a equipe estava adoecida.

Lee Se Young (Park Eun Bin) é a chefe da equipe de gestão, é uma das pessoas mais novas e a primeira mulher a ocupar o cargo. Ela é uma funcionária dedicada e também uma eterna fã do Dreams. Competente e reconhecida por todos no seu trabalho, Lee Se Young nunca desistiu do seu time e quando começa a perceber que Baek Seung Soo pode mudar o rumo do Dreams, ela é a primeira a dar uma chance a ele, sentindo novamente esperança.

Ela aprende rápido o direcionamento das estratégias dele e logo vira sua parceira e alguém em quem ele pode confiar lá dentro, já que mesmo parecendo ser muito apático, na verdade, o Baek Seung Soo está mais preocupado com as pessoas do podem imaginar.

Han Jae Hee (Jo Byung Kyoo) também é parte da equipe de gestão do Dreams, ele é o mais novo membro da equipe, foi contratado por indicação já que é filho do CEO de uma grande empresa, mas isso não o torna aquele personagem clichê babaca. Aqui temos totalmente o oposto do que ele poderia ser em qualquer outro drama. Ele é dedicado ao trabalho e se importa com o time. Está sempre animado dando força à Se Young e logo é cativado também pelo seu novo chefe de gestão.

Na diretoria do Dreams, temos Kwon Gyung Min (Oh Jung Se) que é sobrinho do presidente do Grupo Jaesong, ele comanda até o mesmo o presidente do Dreams. Sendo o responsável pela tarefa de dissolver o time o mais rápido possível. Kwon Gyung Min é um personagem ardiloso que bate de frente com Baek Seung Soo e vai travar diversas batalhas com ele. Ele é uma pessoa inteligente e o que o torna tão miserável é sua submissão ao tio. Ou seja, ele é o maior antagonista deste drama, mas ao mesmo tempo é praticamente inútil, um faz tudo que acha que tem poder e pode ganhar algo com isso, mas na verdade não é nada. Semelhanças com o “mundo real”, não é mesmo?

Eu adoro o ator Oh Jung Se e acho que ele sempre se dá bem em qualquer tipo de personagem, uma pena ele ser sempre o secundário seja por vilão ou mocinho. Pra mim, esse homem é um talento. Recentemente ele ganhou prêmio de Melhor Ator Coadjuvante no Baeksang Arts Awards, mas foi por seu personagem em When The Camellia Blooms, que foi realmente merecido demais, mas aqui ele também fez um excelente trabalho, então em minha concepção, o prêmio é devido aos seus dois personagens sim.

Suas cenas de tensão com Baek Seung Soo eram sempre muito boas e, às vezes, até divertidas com tanto sarcasmo. Metade de mim era ódio das situações e a outra metade era admiração pelos diálogos excelentes que se desenvolviam a partir de tantas provocações.

Aproveito o momento para falar de outros relacionamentos cativantes nesse drama e são principalmente esse trio: Baek Seung Soo, Lee Se Young e Han Jae Hee. Uma equipe que se preocupa demais com cada jogador, cada funcionário e cada fã. Jae Hee é sempre uma figura e capaz de conquistar os espectadores com seu carisma, um personagem tão adorável que muitas vezes é quem “quebra o gelo” do Baek Seung Soo. Enquanto Lee Se Young é divertida e muito determinada, gosto tanto da atriz Park Eun Bi e a química desses três juntos foi ótima. O Nam Goongmin aqui também estava sensacional, transmitindo todas os sentimentos do seu personagem complexo, que vai aos poucos apresentando sua própria história de vida também.

Ainda há outros funcionários na administração do Dreams, e todos eles são importantes para o andamento da história, como por exemplo, a Im Mi Sun (Kim Soo Jin) – diretora de Marketing, Yoo Gyung Taek (Kim Do Hyun) – diretor de Planejamento e Análise, Byun Chi Hun (Park Jin Woo) – diretor de Relações Públicas, Jang Woo Suk (Kim Ki Moo), Yang Won Sub (Yoon Byung Hee) e Go Se Hyuk (Lee Joon Hyuk) do Recrutamento.

Contudo, quero destacar ainda Baek Young Soo (Yoon Sun Woo), irmão do Baek Seung Soo, que tem um passado doloroso é um exemplo para o irmão e para demais personagens. Além de ser muito inteligente, ele é bondoso e conquista qualquer um ao seu redor. Adorei o personagem e, como já disse antes, o destaque a uma pessoa com deficiência física.

O drama tem um elenco muito grande, e é uma tarefa difícil construir e desenvolver o arco de tantos personagens mas o resultado é esplêndido e esse tipo de roteiro é algo que me agrada muito, é característica principal dos roteiros dos escritores da série Reply (1997, 1994 e 1988), Prison Playbook e Hospital Playlist, será que temos aqui outra lenda?

O time de jogadores, os treinadores e técnicos do Dreams é composto por diversos personagens e ainda é bastante alterado ao longo dos episódios, não serei capaz de comentar sobre cada um em especial, mas deixo aqui mais um elogio ao desenvolvimento da trama, que apresentou as histórias pessoais deles, suas dificuldades na carreira e na família. Abordou os temas relacionados ao esporte como a competitividade mesmo entre colegas, o mercado concorrido, as lesões e doenças, uso de drogas, imagem pública, entre outros.

Fiquei extremamente envolvida e comovida com suas lutas, são muitas perspectivas apresentadas. Respirava aliviada toda vez que um problema era resolvido e alguém terminava o episódio com um sorriso no rosto. É uma ótima oportunidade para refletir nosso papel de fã, às vezes culpamos técnicos e treinadores, mas nem imaginamos tudo que está em jogo no bastidores. O time cativa e emociona, me peguei torcendo com eles diversas vezes. VAAAAI DREAMS!

Nos faz refletir ainda mais sobre a pressão que os rodeia e como todas as suas ações podem ser criticadas e influenciar alguém. O que na verdade, inclui todos nós, certo? Como pessoas, nossas ações estão sempre influenciando a vida daqueles que estão próximos a nós. Estamos influenciando para o bem? Estamos incentivando alguém a se levantar e não desistir?

Stove League é muito sobre sobre as pessoas reais, sobre seres humanos que são falhos, que são complexos, que passam por dificuldades mas ainda assim, são humanos que aprendem com seus erros e evoluem.

“Está tudo bem não ser forte. Nós vamos ajudar uns aos outros.”


Fica aqui meu agradecimento a todos os envolvidos por essa obra sensacional e diferente que me conquistou de forma única. O prêmio de Melhor Drama no Baeksang foi extremamente merecido, assim como a alta audiência durante sua transmissão.

Meu único arrependimento é que demorei muito pra assistir. Àqueles que verão o drama após ler essa resenha, desejo de coração, que aproveitem os ensinamentos, e que seja tão proveitoso quanto foi pra mim.

Onde assistir?

Tem Stove League no Kocowa, Viki, Fighting Fansubs e Kingdom Fansubs.

Até logo, Mari. 🙂

Designer, publicitária, viciada em gatinhos, café e doramas. Criadora e autora do LoveCode - que publica conteúdo sobre entretenimento asiático há nove anos.

Write A Comment